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Discursos: Formatura, Posse, Paraninfo


Discurso de Formatura
Excelentíssimas autoridades civis, militares, religiosas e educacionais,
Minhas senhoras, meus senhores, distintos colegas….
Entre os atos que compõem o encadeamento de nossa existência, este, por certo, é um dos mais proeminentes, quando nos é outorgado o grau de Bacharel em Direito, e partimos, entre festas e afetos, para um mundo que se encontra à nossa espera.
E um momento profundamente feliz, grandioso mesmo, repleto de esperanças e de êxitos antecipados.
É o começo de uma jornada que se inicia às portas da faculdade que hoje deixamos, e que se prolongará lá fora, no decurso da vida, esperamos nós, cheia de encantos e promissoras vitórias.
Por vezes, no entanto, no decorrer de nossas atividades, é bem possível que nos encontremos em luta conosco mesmos, na difícil posição de usar o Direito e pedir justiça, ora para defender, ora para acusar; ora para condenar, ora para absolver.
Em qualquer dessas conjeturas, deveremos estar cônscios da responsabilidade que nos cabe, consagrando os nossos conhecimentos no esclarecimento da verdade, a fim de sermos dignos dos mandatos que nos confiaram, na certeza de que assim estaremos cultuando o Direito com o propósito de servir a sociedade.
Se cultuarmos o Direito, se buscarmos a Justiça, se aceitarmos a grave e superior missão de defender os legítimos interesses de terceiros, se defendermos o bem sagrado da liberdade humana, precisaremos, a par da consciência do dever, não só conhecer o Direito, como viver a realidade social, participando ativamente dos fenômenos que implicam a estrutura jurídica e legal da sociedade.
Sendo o Estado um ordenamento jurídico, cumpre estarmos vigilantes para que esta estruture aquela forma de Estado compatível com a dignidade da pessoa humana, a qual deve ocupar o lugar mais alto na escala dos valores sociais.
Afirmou o nosso grande e inesquecível jurista Clóvis Beviláqua: "0 direito é um fato necessário na socie-
dade, porque é ele que a organiza, equilibrando as energias sociais; ê, antes, a sua própria expressão, segundo a determinam as condições de vida da sociedade".
0 profissional do Direito não pode assistir impassível à crise, cuja dinâmica imprime celeridade às mutações sociais, determinando às vezes o que Gastor Morin denominou de "revolta dos fatos contra os próprios códigos".
Mas teria o Direito soluções capazes de estabelecer o equilíbrio nas diversas esferas sociais?
Embora às vezes não seja uma terapêutica imediata para todos os males, o Direito prescreve normas que, se acatadas, asseguram a paz social, almejada por todos e resguardada pelos profissionais da área.
Torna se um imperativo, nesta oportunidade, congratular me convosco, distintos colegas, pelo admirável triunfo que acabais de conquistar com a vossa formatura, alcançando o vosso objetivo com méritos incontestáveis.
Não obstante, perseverai em vossas pesquisas, aprimorai vossos conhecimentos.
0 mérito de um homem repousa em sua sabedoria e em suas ações e jamais em sua cor, raça ou ascendência.
A cultura é a única riqueza que em tempo algum será confiscada.
Ao advogado não é permitido ignorar a evolução que se opera, de modo rápido e constante, na atualidade mundial.
0 Brasil necessita de profissionais capacitados que resguardem o seu progresso em toda a sua amplitude.
0 desenvolvimento dos povos assim o exige.
Fazei com que a vossa profissão ampare a Justiça planeada pelo Direito, do qual é o seu maior objeto, evitando, de maneira decisiva, que esta venha a ser procrastinada. Procurai impedir, no desempenho de vossas funções, que a ganância dos poderosos sem escrúpulos avassale os humildes e os desprotegidos.
Os direitos básicos do homem são inalienáveis e como tais devem ser respeitados.
Procurai resguardar a soberania do povo brasileiro, não permitindo que potências estrangeiras procurem interferir na política interna da nossa pátria.
Não permitais, prezados colegas, que esta formatura represente apenas o formalismo da conclusão de uma jornada, mas que se torne o alvorecer de uma nova luta em prol da Justiça e da Democracia, regime polífico que se funda nos princípios da soberania do povo e da distribuição eqüitativa do Poder.
Caracteriza se em sua essência pela liberdade do ato eleitoral, pelo desmembramento dos poderes e pelo controle da autoridade constituída.
Onde quer que a Democracia esteja em jogo, quer que a força pretenda esmagar o Direito, sufocar a liberdade, ali nos encontraremos para resguardá-los. Lembrai vos que Marco Túlio Cícero, estadista e filósofo romano e, provavelmente, o maior causídico de todos os tempos, perdeu sua vida defendendo a liberdade e a justiça contra a tirania e o despotismo dos mandatários de sua pátria.
Primai, caros bacharelandos, pela retidão e honestidade, sem o que todas as ciências e todos os conceitos se abastardam.
Lutai com impetuosidade contra os percalços da profissão que abraçastes, não permitindo que venham a desalentar vossos sadios propósitos.
Grande é o campo de ação que se nos apresenta.
Quer como Magistrados, Promotores de Justíça, Advogados, Professores, Legisladores e Políticos, poderemos sempre contribuir para a realização do ideal de Justiça, ainda que tenhamos de entrar em choque com a própria lei, identificando nos decisivamente com o lema de nossa turma: "Pela lei muitas vezes, pelo Direito, sempre".
E chegado o momento, nobres colegas, em que nossos destinos se diversificam e não mais caminharemos juntos.
Levaremos, no entanto, a amizade que cultivamos nestes anos de faculdade, como um lábaro incentivador de nossa carreira, que, temos certeza, será palmilhada pela decência e probidade. Porém, se no futuro, em decocorrência da profissão que abraçamos, estivermos colocados em situações opostas, saibamos patrocinar, com decoro e justiça, a causa pela qual propugnamos e julgamos legítima, primando sobretudo pelo respeito e a ética da profissão, conciliando o nosso objetivo com a realidade do nosso ideal.
A advocacia é, de todas as ciências, a mais nobre e a mais bela, embora nem sempre seja assim reconhecida.
Guardai convosco a ponderação que vos faço: Ser homem é principalmente ser responsável.
É conhecer a vergonha diante de uma miséria que não parece depender da gente.
É orgulhar se de uma vitória que os companheirosconquistaram.
É sentir que estamos construindo o mundo quando depositamos nossa pedra.
Douto e estimado paraninfo Dr. Pedro Antunes Viernes, os formandos desta noite sentem se sobremodo honrados e enaltecidos pela maneira espontânea e afável com que cedestes ao convite para serdes o paraninfo desta turma.
97 Levai convosco a certeza, prezado mestre, de que a justíça dos vossos conceitos, a lisura das vossas ações e a nobreza do vosso espírito embelezam a imagem do homem e originam admiração e respeito.
Ilustríssímo senhor Flávio Dutra Autran, numa decisão unânime e feliz dos formandos, fôstes o eleito para outorgar vosso nome à turma de bacharelandos em Direito de 1979.
0 principal escopo desta preferência foi reverenciar vossa pessoa e enaltecer, de modo justo, a vossa capacidade e retidão profissional, virtudes que vos acompanham desde longos anos e que salientam, de maneira incontroversa, a personalidade marcante de um homem íntegro e digno dos maiores encômios.
Recebei, prezado patrono, esta homenagem que vos fazemos na noite de nossa formatura e que pedimos aceiteis como prova de simpatia e elevada consideração.
Um agradecimento aos nossos orientadores e homenageados, que procuraram, através da sua erudição e experiência, transformar nos de meros acadêmicos em profissionais realmente habilitados. E, quando homens se transformam, transforma se também a estrutura da sociedade.
Ao nos despedirmos, evocamos uma das passagens mais belas da história universal, quando Alexan- dre Magno disse dever mais a seu mestre Aristides do que a Felipe, seu pai, porque se este lhe dera o pão que nutre o corpo, aquele lhe dera o alimento que nutre o espírito.
Superiores, porém distintos, sentimentos de afetividade assomam a nossa mente nesta noite, pro curando cada qual a concessão da primazia.
Entretanto, salientam se aqueles que envolvem de maneira particular a vós, venerandos pais; a vós, queridos cônjuges; a vós, estimados filhos; a vós, caros irmãos.
À medida que vos invocamos, cresce nosso entusiasmo e nos enchemos de justo orgulho e carinho por vossas pessoas.
Sobreleva salientar especialmente a confiança que em nós depositastes, proporcionando-nos a segurança indispensável que nos serviu de arrimo durante todo o curso e que não permitiu que fraquejássemos.
Permanecereis em nossa lembrança para sempre numa homenagem perene de reconhecimento.
Esta conquista é a exaltação de vossa honra; este diploma, o fruto de vossa dedicação; esta formatura, o prêmio de vossos sacrifícios.
Ajudai nos, também agora, eu vos peço, no sacerdócio da profissão que abraçamos, a sermos dignos de elevada confiança e merecedores do mais alto respeito. ( Antônio Carlos Vieira)

Discurso de Paraninfo
Excelentíssimas autoridades civis, militares, religiosas e educacionais.
Excelentíssimo Senhor Carlos Dinfori, Magnífico Reitor da Universidade de Líorma.
Minhas senhoras, meus senhores, distintos colegas, caros formandos.
Estamos diante de um importante fato histórico na vida desses jovens arrojados, que hoje colam grau no Curso de Farmácia da Universidade de Liorma.
Neste instante, eles vencem mais uma batalha no cenário de sua existência. Em seus olhos podemos enxergar, facilmente, o brilho da vitória.
Aqui, porém, vale lembrar que a vitória é momento na batalha interminável...
Não querendo ser pessimistas, alertamos que é curtíssimo este instante da subida ao pódium para receber a medalha. Dura nada... Importa a luta!
Mesmo porque, a vida é um desafio que devemos enfrentar.
Lembrem se de que toda a vitória e progresso vêm das lutas, lágrimas e sofrimentos por um ideal. Alguém já afirmou que as pegadas na areia do tempo não são deixadas por pessoas sentadas.
Não desistam. Sigam em frente. 0 que é de vocês lhes pertence desde toda.a eternidade.
A nossa responsabilidade no preponderante papel de educadores é árdua, pois o ritmo da vida é lento e requer paciência.
Parodiando um célebre pensador: "aquele que imagina que todos os frutos amadurecem ao mesmo tempo, como as cerejas, nada sabe a respeito das uvas".
A par de toda preocupação que nos envolve, temos como lenitivo a participação amiga deste educandário, que na sua magia consegue transformar em mel as salagadas lágrimas e os amargos momentos de nossos melancólicos cotidianos.
Furtando, como quem toma uma flor no alheio jardim, prestamos aos abnegados professores o sábio dizer de um escritor:
"E há os que pouco têm e dão no inteiramente. Esses confiam na vida e na generosidade da vida. E seus cofres nunca se esvaziam. E há os que dão com alegria e essa alegria é a sua recompensa". Daí a afirmação de que a beleza das coisas existe na mente de quem as contempla".
Para nós professores e, principalmente, para vocês, caros formandos, saber que existem rostos amigos é extremamente consolador. Amigo é aquele que se dedica, quando os outros dizem: basta!
Nesta festa de formatura, em que os brindados são vocês, muito nos emociona estar sendo destacados entre os professores que recebem seus preitos.
A gratidão, dizia João XXIII, é o que de mais belo existe no coração de um jovem.
Prova evidente é o carinho que dedicam aos seus mestres, escolhendo alguns deles para, em nome de todos, render suas homenagens.
Pudéssemos, esculpiríamos em ouro seus nomes, para mostrar aos olhos do mundo o nosso afeto.
Na humildade, porém, faremos muito mais: guardaremos todos no coração e na memória, transformando os, perenemente, em personagens vivos e marcantes na nossa lembrança.
Não é à toa que nós, mestres, procuramos transmitir, nesses anos todos, o que de mais útil e importante povoou o nosso saber.
Acreditamos que o que foi assimilado por vocês, por menos que tenha sido, os ajudará na realização de suas vidas.
Cremos em suas capacidades. Não nos decepcionem... Desponta diante de vocês todo um futuro promissor.
Viver a alegria deste momento é fácil. Difícil é mantê la no dia a dia, quando a debilidade e a angústia da sociedade humana batem à porta, em busca de lenitivos; difícil é cumprir diariamente, com seriedade, os compromissos que a ética profissional estabelece; difícil é buscar constantemente o aprimoramento do conhecimento científico. Por isso, o grande desafio para a virada do século e o limiar do novo milênio que se aproximam é o empreendedorismo.
Essa nova era exige da humanidade novas posturas.
Aqueles que não forem arrojados na busca de seus sonhos, que não forem empreendedores, isto é, que não tomarem a resolução de fazer uma coisa de certo vulto e, principalmente, começá la, infelizmente, terão como desenlace a vala comum, onde se situam os infelizes, que desconhecem o sabor do êxito e da realização.
Ensina nos, o Livro Sagrado, que tudo tem seu tempo.
"Há um momento oportuno para cada empreendimento debaixo do céu" (Eclesiástico, capítulo 3, versículo 1).
0 tempo de vocês é agora.
É importante que a nossa profissão de farmacêuticos receba de cada um a colaboração através do dinanismo, do esmero, da criatividade, que resultará na volorização dessa milenar cultura, transformando não somente as coisas e a sociedade, mas aperfeiçoando a si mesmos.
0 mercado cria novas exigências a todo instante. Daí a obrigatoriedade de que as pessoas estejam sempre se reciclando, sempre conhecendo coisas novas, sempre às voltas com desafios.
Para alcançar o topo da montanha, tem se que suportar intempéries, vencer estradas íngremes e superar obstáculos difíceis e empreendedores, ser pessoas capazes de transformar esses obstáculos e oportunidades em vatagens a seu favor.
Feliz foi John Kennedy ao afirmar que "o merecimento maior é o do homem que se encontra na arena, com o rosto manchado de poeira, de suor e de sangue... que conhece os grandes entusiasmos, as grandes devoções; que sacrifica a si próprio por uma causa digna e que, quando muito, experimenta, no final, o triunfo de uma grande realização. E... se ele fracassa, pelo menos fracassou ao ousar grandes coisas; por isso mesmo, seu lugar não deve ser tomado por essas almas tímidas e frias que não conhecem nem vitórias nem derrotas.”
Saibam estender as mãos compassivas aos que sofrem, distribuindo alegria e otimismo, e verão enormes recompensas no dia a dia da batalha.
Compartilhem, a longo prazo, toda esta honra e a que hoje é somente de vocês, neste momento de festa.
Nas páginas de saudade, estão gravadas discordâncias, acordos, cochichos de pé de ouvido, rodinhas alegres de colegas, compreensão mútua... A convivência foi autora deste enredo.
Cada folha, uma história.
Cada momento, uma alegria.
Hoje, partimos e ficamos. Ficamos na lembrança de cada um de nós.
Partimos, dizendo até breve...
Fica a promessa do reencontro. Fica o desejo de boa sorte.
Ao primeiro sucesso, sigam em frente.
Na primeira derrota, não desanimem.
Pois o primeiro sucesso não serve como vitória. E a primeira derrota não serve como fracasso.
Fica a vontade de que lutem e vençam.
Fica o desejo de que sejam felizes.
(Sérgio Rubens Garcia)

Discurso de Posse
(1ª Procuradora de Justiça de Santa Catarina) Saudação às autoridades (mesa)
Excelentíssímos Senhores Procuradores de Justiça
Aproveito a oportunidade para saudar os camboriuenses que aqui estão e que representam a terra natal dos meus pais, dos meus irmãos e de todos os meus antepassados.

Meus conterrâneos e meus queridos familiares.
É indiscutível a emoção que sinto por ser a primeira mulher na história de Santa Catarina a ocupar o cargo de Procuradora de Justiça. Quando ingressei no Ministério Público, há 16 anos, e iniciei esta caminhada, minha compreensão não alcançava com clareza a real dimensão dessa possibilidade. E hoje, diante do sonho realizado, sinto me honrada em poder assumir mais esta responsabilidade perante o Ministério Público. Enquanto no âmbito familiar estamos vivenclando o sabor de uma conquista que resgata parte da história dos Garcia e dos Pereira de Camboriú que, no século passado, foi marcada por vários pioneirismos e pela participação ativa dos seus membros na vida política daquela região.
Desde a mais tenra idade, tive a curiosidade voltada para os álbuns de família, querendo saber tudo sobre aquelas pessoas tão idosas, tão silenciosas, tão diferentes ... E assim fui conhecendo os meus antepassados, fui compreendendo os meus pais e os meus irmãos e tomando consciência da minha existência. Meu pai nasceu no ano da Proclamação da República – 1889. Eu sou a mais moça de seis irmãos.

Na tradição oral dos meus familiares, nos discursos do ARY GARCIA, que fazem parte do meu acervo, e louvada em várias publicações de catarinenses ilustres como o doutor Oswaldo Rodrigues Cabral, o Pe. Raulino Reitz, o professor Edson D'Avik e o pesquisador Isaque de Borba Corrêa, aprendi muito sobre tempo e uma gente desbravadora e corajosa.
Por isso, eu não poderia deixar de registrar aqui, em linhas gerais, alguns aspectos dessa história que o tempo vai consumindo. E o faço por uma questão de amor próprio, já que represento, entre muitos outros, uma tradição de mais de cento e cinqüenta anos, iniciada por meu tetravô, TOMAZ FRANCISCO DE GARCIA.
Esse cidadão, espanhol, acompanhado de sua familia e alguns escravos, deixou a póvoa de Barra, hoje bairro de Balneário Camboriú, por motivo de uma grande enchente ocorrida no final da década de 1830; subiu o rio Camboriú, estabeleceu-se exatamente no local onde hoje se encontra a cidade de Camboriú, aí fundando o "Arraial dos Garcia", denominação pela qual a cidade é conhecida até hoje pelos antigos, não obstante a sua emancipação política tivesse ocorrido em 5 abril de 1884, pela Lei nº 1.076.
MANOEL ANASTÁCIO PEREIRA, meu bisavô, foi o primeiro prefeito de Camboriú, eleito em 1885. A partir daí, MEL ANASTÁCIO dedicou se de corpo e alma à causa republicana e, segundo os registros políticos, foi considerado o mais apaixonado dos republicanos que Santa Catarina conheceu. Participou da memorável noite de 1º de maio de 1887, em Camboríú, quando foi fundado o primeiro Clube Republicano do Estado
Eu creio que esses fatos, que marcaram o meu contexto familiar, foram determinantes nas minhas escolhas.
Ingressei no Ministério Público com a firme decisão de fazer carreira; encontrei na pessoa do Procurador Geral da época, hoje Des. Napoleão Xavier do Amarante, um grande amigo e um grande incentivador. Percorri o estado. Idetifiquei me desde logo com o direito penal e, conseqüentemente, com as funções tradicionais do Ministério Público. Em Canoinhas e Palhoça fiz inúmeras acusações no Tribunal do Júri, ao lado dos juízes Dr. Volney Ivo Carlin e Dr. Roberto Hartke. Guardo boas recordações do meu caminhar pelo estado.
Na condição de mulher, mais difícil foi a chegada no oeste, no início de 1980. Nesse tempo, por lá, a presença da mulher no espaço público, com poder de decisão, não fazia parte da rotina daqueles cidadãos, para os quais a autoridade estava identificada com a figura do homem. Mesmo assim, fui colocando me e enfrentando com determinação os desafios. Os dias foram. sucedendo se e a história registrando a passagem das mulheres na instituição. Hoje somos 56 Promotoras de Justiça, partilhando com os homens a empreitada que temos que cumprir para levar a bom termo essa missão e por que não dizer essa aventura que o final do milênio nos coloca.
Os meus agradecimentos iniciais são dírigidos ao Excelentíssímo Senhor Procurador Geral de Justiça, Dr. Moacyr de Moraes Lima Filho, que desde a sua passagem pela Corregedoria Geral tem possibilitado a ascensão da mulher na carreira do Ministério Público. A seu convite, ocupamos pela primeira vez um cargo na administração superior, quando estive à frente da Secretaria Geral da Corregedoria, no período de 1992 a 1995.
Como Procurador Geral de Justiça demonstrou, desde logo, o firme propósito de ampliar esse espaço, convídando me para coordenar o Centro das Promotorias da Infância – CPI -, e a Dra. Heloísa Crescente Abdala Freire, para fazer parte de sua equipe de assessores. A Vossa Excelência, o nosso reconhecimento e a nossa admiração.
A minha passagem pelo Centro das Promotorias da Infância foi altamente gratificante, tanto em termos profissionais pessoais. Para exercer esse carg, reuni a experiência da Promotoria, com a bagagem que adquiri na minha terra natal a minha querida Itajaí. De lá trouxe os conceitos que aprendi no Colégio São José, no Curso de Pedagogla, e mais a experiência de sete anos de magistério, além da bagagem acumulada durante quatro anos de trabalho na antiga FEPEVI, como Secretária Geral e Coordenadora da Comissão Comunitária Pró-Campus Universitário. E me lancei de corpo e alma em prol da causa da criança, prioridade eleita por esta gestão.
Deixo o Centro das Promotorias da Infância com a certeza de ter-me envolvido com a questão mais séria com que a nação brasileira deverá se deparar nos próximos anos a criança e as políticas que lhe dizem respeito. Consciente de que a responsabilidade de inclusão social é de todos, sigo comprometida com esta causa.
No trato com a infância, revi meus conceitos, aprimorei a minha sensibilidade e passei a valorizar muito mais os profissionais da área social e o trabalho de pesquisa.
Estou convencida de que o primeiro passo para a formação de uma boa política de atendimento é o diagnóstico da realidade local, para que se conheçam os destinatários de cada linha de ação e, assim, se conheçam também as reais necessidades para a criação dos programas e o estabelecimento de metas. Só um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais poderá impedir a multiplicação de programas desnecessários e descontinuados, com a superposição de ações e o desperdício de recursos e, como conseqüência, a reprodução da miséria.
0 inédito dessa lista e da escolha do meu nome é sinal de que nesta gestão, movida por compromissos democráticos, os homens se dispõem a estreitar os laços de convivência com a mulher, colocando a em condição de partilhar o poder decisório.
A presença da mulher na vida pública não é novidade. Mas nós, mulheres do Ministério Público, da Magistratura, da Ordem dos Advogados do Brasil, das Assembléias Legislativas, das Câmaras de Vereadores, ou como Chefes do Executivo, temos que construir politicamente uma mulher diferente daquela que foi idealizada desde sempre, como um ser frágil que precisa ser tutelado.
Como sabemos, mulheres e homens, além da síngularidade dos gêneros, são papéis politicamente construídos através da história. 0 papel da mulher, marcadamente, foi sendo concebido para aprisioná la em sua singularidade. Nós, nas nossas funções, além de darmos conta das nossas tarefas, temos que ter compromisso com um mundo melhor, mais justo e mais humano. Para tanto, é necessário repensar os gêneros, reinventar as práticas, estabelecer novos paradigmas. 0 masculino e o feminino têm que ser repensados urgentemente é questão fundamental para os destinos da humanidade.
As práticas que estão postas e que resultam do modelo de sociedade que temos já não agradam homens e mulheres.
A cada dia que passa, grandes contingentes de homens se tornam vítimas de um processo de exclusão nunca conhecido na história, enquanto o modelo social continua a exigir que o homem seja o provedor. Isso tem trazido grande desorganização familiar e muito sofrimento humano.
0 que eu quero dizer é que a referência ao gênero masculino, que modela o espaço público, delimita a vivência das mulheres, em todas as culturas e países e as mantêm longe dos poderes decisórios, agora também aprisiona homens.
As mulheres sempre foram assimiladas no espaço público como pessoas altruístas; aqueles seres bondosos, que durante séculos cuidaram da educação e da persuasão moral; como também cuidaram dos doentes, dos idosos, das crianças, dos portadores de deficiências, geralmente como voluntárias ou recebendo salários menores que os homens.
Portanto, para as mulheres, ao longo dos anos, foi sendo criada uma identidade política sob bases de pureza e dedicação ao próximo, enfatizando se para ela a necessidade da tutela, de proteção, enquanto os homens construíram a sua identidade política com ênfase na autonomia, resultando daí a imagem do poder político identificada com o gênero masculino.
0 reflexo dessa visão está na não participação das mulheres nos centros decisórios e na não participação dos homens nos assuntos domésticos.
Assim, Senhoras e Senhores, a novidade desse fim de milênio não é a mulher na vida pública, mas as novas formas da sua presença e participação. A mulher do meu tempo já vislumbra um caminho para a conquista da autonomia e da paridade na vida pública e privada.
Falando em mulher, eu quero abrir um parênteses para prestar uma homenagem especial de gratidão e afeto àquela mulher, àquela guerreira, que veio por primeiro, abrindo portas e forjando o perfil da Promotoria de Justiça catarinense. As minhas homenagens à Dra. HERCíLIA REGINA LENKE. Agradeço a Vossa Excelência por me ter recebido tão bem e ter dividido comigo aquele espaço que foi só seu durante tantos anos. Os meus agradecimentos, também, pelos ensinamentos, sempre sábios e seguros, pelas trocas de profundo afeto que nos permitimos, pelos pactos, nem sempre explícitos, que firmamos em torno de causas comuns. Por tudo isso, a nossa homenagem à sempre primeira Promotora de Justiça da história de Santa Catarma.
Por oportuno, quero agradecer a participação expressiva das Promotoras de Justiça neste ato. Peço a Deus que eu não as desaponte na minha nova função. Agradeço de público, já que não tive tempo de fazê lo pessoalmente, as manifestações de carinho e afeto que tenho recebido dos homens e das mulheres do Ministério Público pela minha promoção. As flores, os telegramas, os telefonemas, cumprimentos, as palavras generosas... tudo ficará guardado no meu coração como marcas indeléveis a confirmar que VALEU A PENA.
Dr. JOSÉ FRANCISCO HOEPERS, eu não tenho palavras para agradecer a homenagem recebida. Vossa Excelência, com muita sensibilidade e poesia, conseguiu dar destaque a uma carreira comum e descrever com sofisticação a vida de uma pessoa extremamente simples como eu. Agradeço, sensibilizada, e atribuo a honra de ter sido saudada por Vossa Excelência à nossa grande amizade.
Quero homenagear também a minha família, aqui representada pelas minhas irmãs MARIA DO CARMO, MARIA ISABEL e TARCILA, pelos meus cunhados, pelos meus sobri nhos e pelos meus sobrinhos netos. A vocês, meus queridos, eu só tenho a agradecer pelo convívio, pela companhia sempre tão constante e agradável, pelo apoio que nunca me faltou; sei que divido com vocês esse momento de alegria, e juntos também estamos nas nossas recordações e na nossa saudade. Eu não seria tão feliz se vocês não estivessem aqui para dividir comigo toda essa emoção.
Aos meus pais, AFONSO GARCIA e ISABEL PEREIRA GARCIA, in memoriam, dedico o significado deste ato de posse.
Além da família, Deus me colocou no caminho de um homem bom, a experiência de ver o mundo com o olhar do outro nos fascinou. E nós nos amamos. Eu te agradeço, JAIR, por todo o companheirismo que partilhamos e pela felicidade que desfrutamos todos os dias. Muito grata e recompensada também me sinto por estas preciosidades que, graças a ti, entraram na minha vida; por elas eu descobri a magia do sentir materno. Muito obrigada, JAIRO, SUSANA e JOÃO PAULO, pelo privilégio de tê los conhecido e estabelecido vínculos tão afetuosos; e, agora, poder acompanhar de perto o processo de crescimento do JOÃO tem sido para mim uma experiência ímpar e cheia de recompensas.

A todos, o meu carinho. Muito obrioada.
Florianópolis, 12 de dezembro de 1996
Dra. ROSA MARIA GARCIA Procuradora de Justiça de Santa Catarma. Discurso de Posse (2)
(Presidência do Incra)
É com sentimento de profunda humildade que assumo hoje, em caráter efetivo, a presidência do Incra. Aqui chego pela vontade expressa do Presidente Fernando Henrique Cardoso, pela manifesta confiança do Ministro Andrade Vieira e pelo apoio consensual de um amplo espectro das forças políticas, sociais e econômicas do País.
Falo em humildade porque não poderia ser outro o sentimento de quem, de repente, vê depositada sobre seus ombros uma confiança desvanecedora, mas junto com uma tarefa gigantesca e uma responsabilidade abrumadora? .
A reforma agrária, como nunca antes na história do Brasil, adquiriu proporções inéditas, que a desloca do debate meramente acadêmico ou do contencioso direita esquerda para situá la no primeiro plano da atividade política no cenário econômico e social do nosso país. A reforma agrária, hoje, como debate social, encontrou o caminho das ruas das cidades e as veredas dos campos conflagrados. Ela está viva e presente nas ações dos sindicatos rurais e nas mobilizações dos trabalhadores rurais. Ela ganhou as manchetes dos jornais e subiu ao horário nobre das televisões, ganhando a adesão da sociedade civil como um todo.
Mais importante do que tudo isto, ou quem sabe, tão importante quanto tudo isto, ela ganhou a dimensão de prioridade política nos programas e projetos, não só do governo federal,senão que também dos governos estaduais e das administrações municipais.
Talvez tenha sido este o salto qualitativo mais importante da reforma agrária. Ela não é mais vista hoje como um tema polêmico que opõe o direito de propriedade à necessidade de se evitar o êxodo rural, criar empregos e gerar renda no campo. Existe hoje, eu diria, um amplo consenso social sobre a importância economica e a necessidade social da reforma agrária.
Este consenso envolve a classe política como um todo, independentemente de correntes ideológicas; ele engloba a percepção e o critério dos administradores públicos, estaduais e municipais que buscam, por todos os meios, criar condições de fixação e radicação dos trabalhadores rurais nos seus campos, porque sabem que isto representa não somente a pacificação dos conflitos sociais, mas também o crescimento da produção agrícola; representa o aumento na arrecadação de tributos; representa, enfim, o progresso e o desenvolvimento econômico de seus estados e municípios.
Este consenso, dizia eu, abrange também os empresários rurais, que têm a garantia de que suas propriedades produtivas e bem exploradas não serão desapropriadas, porque elas cumprem, nos termos da Constituição Federal e da Lei, a sua função social. Contribuem gerando emprego e renda ao progresso e bem estar social do nosso país. E também porque eles, como brasileiros de bom senso, não concordam em que a propriedade rural seja utilizada como reserva de valor. Entendem, com razão, que a desmobilização destes capitais, pagos em forma justa, permitirá a seus proprietários aplicá los em atividades economicamente mais rentáveis e socialmente mais justas.
Estamos, pois, frente a um quadro novo na encruzilhada da reforma agrária.
Poderia continuar ampliando o leque de identificação de todos os setores da sociedade brasileira, aos quais, objetivamente, interessa a reforma agrária, mas creio ser isto desnecessario, porque é de conhecimento geral.
... Por todas estas razões o governo federal considera a reforma agrária como uma aspiração legítima da sociedade brasileira e a coloca no patamar de suas políticas prioritárias.
... Cobrarei do Incra, dos seus funcionários, o esforço, a dedicação, a responsabilidade, a competência que nos permita concluir a nossa missão com o orgulho e a alegria do dever cumprido. Todos estão convocados para esta missão. Desde os diretores, passando por cada superintendente regional e alcançando todos aqueles que, desde as linhas de frente até na retaguarda dos escritórios, são responsáveis por parcelas de esforços que apontam para um único resultado. Tenho a certeza de que não me faltarão. Sendo da Casa, conheço o sentido de responsabilidade e o compromisso dos servidores do Incra. Sozinhos, nenhuma certeza nos assiste; mas não estou só, tenho, no apoio do Conselho de Diretores do Incra, o mais harmônico e orgânico da história institucional, o aliciente seguro de que comigo velarão pelo cumprimento de nossas metas.
... Meu compromisso será sempre com a verdade, e como serei cobrado, também saberei cobrar.
Cobrarei da área econômica do governo os recursos que possibilitem o cumprimento da minha missão. Cobrarei dos movimentos sociais os compromissos assumidos, como, tenho certeza, também serei por eles cobrado.
... Não quero passar para a história do Incra com o epiteto de "0 Cobrador", mas com o de "Realizador". Quero ser reconhecido como alguém que, chamado para cumprir uma tarefa, dela não abdicou.
... Procurarei situar me no Plano do Real, fazer aquilo que é possível realizar, sem claudicações, mas também sem sonhos utópicos.
Estamos falando de coisas concretas. De políticas no plano da realidade. Delas não me afastarei.
... Agradeço a todos os que confiaram em mim, me apoiaram e me apóiam. Não vou citá los, porque são tantos que poderia cansá los. Ou ainda, traído pela memória, por esquecer de alguém e fazer de um amigo, um inimigo. Estejam seguros de que os levo a todos no meu coração e que tudo farei para não decepcioná los.
Imponho à minha família mais uma cota de sacrifícios. Mas sei que ela compreende as razões de meu compromisso e ora para que Deus ilumine meus passos.
(Engenheiro Agrônomo Raul David do Valle Jr., na Pre sidência do Incra). Discurso a um grupo de peregrinos, em forma de oração
Ó Senhor, neste final de século que nos aproxima do terceiro milênio, viemos, contritos, agradecer te a chance que nos ofereces para a realização de nossas maiores descobertas.
Obrigado, senhor, pela missa do envio, que nos fez decidir pela caminhada peregrina.
Obrigado, Senhor, por aquela madrugada do dia 27 de dezembro de 1999, que nos possibilitou a graça de darmos os primeiros passos rumo aos veneraveis santuários.
Obrigado, Senhor, pelo farto almoço abençoado e oferecido pelo Padre Ciro, em São Pedro de Alcântara, onde pudemos descansar nossos vastos quilômetros percorridos.
Obrigado, Senhor, pelo forte abraço que nos destes quando, em Angelina, no escurecer do dia, percorremos o calvário que culmina com a gruta da Santíssíma Virgem de Lurdes.
Naquele momento, sozinhos, nos sentimos tomados por teu espírito, Senhor, e libertados das dores e do cansaço da iornada.
Obrigado, Senhor, pela janta hospitaleira oferecida pelos religiosos de Angelina, num ágape tão fraterno e tão parecido com as refeições que os primitivos cristãos faziam em comum.
Obrigado, Senhor, por tua notável presença, naquela míssa do Santuário de Angelina, que nós, peregrinos, dispostos em volta do altar, tivemos, emocionados, a oportunidade de alimentar nos de teu corpo e de teu sangue, numa fortíssima e comum união.
Obrigado, Senhor, pelos cuidados afetuosos dispensados por Frei Ivo, possibilitando nos o sono restaurador, e o café sóbrio, porém eficaz, que nos encorajou a mais um dia de caminhada até a comunidade Garcia.
Obrigado, Senhor, pela festiva missa na Igreja Nossa Senhora das Dores, de onde, após o café colonial, rumamos para Nova Trento, galgando pelo morro escarpado do Santuário Nossa Senhora do Bom Socorro.
Obrigado, Senhor, pelo tempo que passamos em Vígo ouvindo os atos nobres praticados por tua humilde serva, Madre Paulina, que hoje é grande, porque ontem muito se ajoelhou.
Obrigado, Senhor, pela força na caminhada iniciada de manhã bem cedo rumo ao Santuário de Azambuja, onde, na calada da noite, ainda podíamos ouvir a harmoniosa sonoridade dos rios e das aves. A noite se metamorfoseou de dia e o sol e a fadiga nos dominaram. Afastados (o sol e a fadiga), porém, pela concelebração da missa, onde pessoas se aproximavam de nós pedindo milagres, como outrora rogavam aos apóstolos. Uma corrente de fé, Senhor, entrelaçava os peregrinos diante do Santíssímo, pedindo graça e lenitivo a uma mãe desesperada, ante o quadro clínico de sua filha.
Obrigado, Senhor, pelo belíssimo troféu recebido na missa do Santuário de Nossa Senhora dos Navegantes, naquela noite ditosa, quando o povo nos recepcionou aplaudindo.
Obrigado, Senhor, pelo retomo e pelo conforto do nosso Iar, onde pudemos relembrar e descansar todo o caminho percorrido.
Obrigado, Senhor, pelo dia seguinte na missa do Santuário da Imaculada Conceição e por hoje, primeiro dia do ano 2000, em que encerramos, no Santuário de Fátima, nossa peregrinação.
Obrigado, ainda, Senhor, pelo peregrino padre Elói Prim, nosso Diretor Espiritual, pela garra, pela simplicidade, por seu espírito tão brincalhão, mas, ao mesmo tempo, tão sério na prática das questões religiosas.
Em momento algum, nós, peregrinos, deixamos de ser atendidos.
Demonstrou, ele, em toda a caminhada, ser ótimo ouvinte, ante as lamúrias, no conhecimento de seus parceiros transeuntes.
Obrigado, Senhor, pelo simpático casal peregrino José Manoel Brasil e Liliam Brasil. Ele, mentor deste roteiro, sempre abnegado, socorria a todos com sua simpatia, demonstrando se preocupado diante de nossos hercúleos excessos na caminhada. Algumas vezes, contrariando preceito médico, colocava se nas estradas e caminhava prolongadamente.
Ela, como parceira dedicada, sempre a seu lado, externava uma forte impressão de prazer em acompanhá lo e jubílava se, até mesmo diante das nebulizações que amiúde se obrigava a fazer. As imagens peregrinas, trocadas em cada santuário, destacavam se quando se viam emolduradas por seu carinhoso colo.
Ambos adotaram os peregrinos como se seus filhos fossem.
Obrigado, Senhor, pelo peregrino Aldo César Machado Cruz, o mais destemido, o mais preparado, carregando sempre sua mochila, onde tudo cabia, desde roupas e apetrechos, até suas saborosas paçocas. Graças a ele, Senhor, o caminho percorrido foi todo fotografado.
De todos, foi um dos que mais se extasiaram ante os fatos que se sucediam. Grande peregrino! Há tanto tempo nos conhecemos no percurso de nossas vidas profissionais... mas só agora, Senhor, nos dás o prazer de tê lo, precisamente, na caminhada.
Obrigado, Senhor, pelo peregrino Luiz Fernando Pereira, nosso Ministro da Eucaristia. Outro grande companheiro! Sempre alegrando os caminhos com seu espírito alegre e criativo. Suas frutas, milagrosamente geladas em todo o percurso, geravam uma sensação agradável ao corpo e à mente.
Obrigado, Senhor, pelo jovem peregrino Ricardo Santana, exemplo de filho e de cristão. Adaptou se a todos os peregrinos, demonstrando sempre simpatia e cumplicidade em tos os assuntos, primordialmente nos que concernem às questões de Deus.
Obrigado, Senhor, pelo peregrino Airton Vieira, que, deixando de lado a administração de seus negócios na Ilha, iniciou a caminhada humildemente, dirigindo sua caminhonete carregada de água para saciar nossa sede. Contudo, não resistindo ao veemente desejo, sempre que podia entregava o volante a terceiros e perfazia o caminho com longas e rápidas pernadas.
Obrigado, Senhor, pela peregrina Lorena, grande exemplo de mulher, sempre firme em seus passos na direção de Deus. Não esmoreceu em momento algum; ao contrário, sem interrupção e feliz, completou tranqüila a longa caminhada do prmeiro dia, tendo que se afastar materialmente do grupo para cumprir outras obrigações. No entanto, espiritualmente trilhou conosco todo o caminho, através do seu pensamento, da sua oração.
Obrigado, Senhor, pelo peregrino Sérgio Rubens Garcia, que conseguiu enxergar no caminho todas as pegadas indevelmente impregnadas por seus companheiros, tendo as como parâmetro para trilhar este e outros grandes caminhos.
Obrigado, Senhor, por todas as pessoas, principalmente por aquelas que deixamos de citar, mas que de alguma maneira colaboraram para o êxito de nossa peregrinação. Concretizaram elas, Senhor, o sábio dizer de que cada pessoa que passa em nossas vidas passa sozinha, mas não vai só, nem nos deixa sozinhos. Leva um pouco de nós mesmos, deixa um pouco de si mesma.
Por tudo e por todos, que verdadeiramente te representam, obrigado, Senhor, muito obrigado, AMÉM.
(Sérgio Rubens Garcia) 1º dia do ano 2000.



Autor: Livro de Oratória: Como Falar em Público com Naturalidade e Entusiasmo
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