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| 0 maior medo da humanidade |
| MEDO DE FALAR EM PÚBLICO |
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O MAIOR MEDO DA HUMANIDADE
(Acácio Moraes Garcia)
Em freqüentes cursos de comunicação verbal ministrados, logo nos primeiros instantes, após a apresentação e uma introdução explicando a importância da oratória nos dias atuais, costumamos fazer uma descontraída entrevista com os participantes, perguntando o que os trouxe ao curso, seus objetivos e suas expectativas.
As respostas são sempre semelhantes:
Eu preciso fazer o curso para perder o medo de falar em público.
Eu fico vermelho e gaguejo em minhas apresentações em reuniões.
Deverei apresentar minha monografia no mês que vem.
Sinto as pernas tremerem, uma friagem no estômago, um suor gelado pelas axilas, a voz trêmula e a vista turvada.
- Eu sou político há dois anos, porém, até a presente data, não tive coragem de falar na tribuna ou em público.
Estas e outras justificativas encorajam muitos a buscar, neste curso prático de comunicação oral, o elixir que falta para dominar a mais bela de todas as artes, a oratória.
E as expectativas, geralmente, alcançam resultados surpreendentes em virtude do interesse, da força de vontade, da persistência e da determinação em vencer mais uma batalha: o medo de falar em público.
Por que o medo?
Quando estamos conversando informalmente com amigos, o subconsciente, através da mente humana, emite a todos os sentidos - visão, olfato, gustação e tato - um sentimento tranqüilo, pondo nos à vontade para exercer a comunicação entre duas ou mais pessoas.
Porém, no momento em que somos convidados por alguém para uma fala, em reunião ou em qualquer apresentação em público, em que estejam presentes pessoas estranhas, o subconsciente não treinado, em frações de segundos, transmite aos sentidos uma sensação de desproteção, de exposição ao ridículo, ou de que algo está fora dos padrões normais, repassando medo ao consciente, desligando o automaticamente.
Vale enfatizar que o desconforto inicial de medo, suor e nervosismo numa apresentação pode aparecer, inclusive, em caso de pequenos grupos, uma vez que mais de duas pessoas ouvintes já se constitui em um público.
Imediatamente, uma intensa dose de adrenalina, segregada pela glândula supra renal, percorre todo o corpo com
o intuito de proteger as áreas atingidas pelo medo. Esta área se localiza na parte inferior do cérebro, e é conhecida como pólo instintivo de fuga e reação.
Esta sensação errônea de estarmos sendo expostos ao vexame numa exposição em público é aumentada e multiplicada pela imaginação, causando medo, pavor e até mesmo pânico emalgumas pessoas, que preferem "antes morrer do que falar em público".
Nesse instante acontecem os seguintes entraves:
- As mãos começam a crescer.
- A voz desaparece, pois as cordas vocais, bastante sensíveis com o medo, se contraem.
- A visão fica embaçada, uma vez que a massa encefálica, embora ocupe de 1% a 2% do peso do corpo humano, absorve cerca de 25% do seu oxigênio. Devido ao medo, dependendo de cada pessoa, este oxigênio corre em auxilio às outras áreas necessitadas, provocando uma ofuscação da visão.
- A adrenalina, entrando na corrente sangüínea, compensa a hipoglicemia, que é a queda do teor de açúcar devido ao medo, provocando aquele famoso suor gelado pelas axilas e, ainda, as necessidades fisiológicas, mais precisamente nas vias urinárias. Por último, a adrenalina, que é uma substância vasoconstritora, produz um aumento de pressão, forçando as contrações do coração, causando, assim, um grande desconforto e, conseqüentemente, a taquicardia.
É bom que se frise, até como reflexão, que muito do medo se origina na infância quando o público se reduz tão somente aos pais e aos irmãos que não permitem que a criancinha tente
manifestar o que sente, aspira ou pensa. Na maioria das vezes, vê se ridicularizada e reprovada nas primeiras falas por essas pessoas tão íntimas, mas desalmadas. Já na adolescência, o medo se deve ao fato de o jovem não dispor de um vocabulário adequado para se expressar ou, ainda, por não ter o que dizer, criando se um bloqueio total. Na fase adulta, face aos pontos já enfocados no que concerne às crianças e aos jovens, soma se a vergonha da exposição ao ridículo na frente de terceiros, que certamente poderão zombar, caso seja mal-sucedido na apresentação.
0 medo deverá ser controlado com calma, com relaxamento e multa prática de exercícios de oratória.
Não existe técnica melhor para vencer esse inimigo do que os exercícios constantes, praticados sob a direção de alguém que conheça as regras basilares de uma apresentação em público.
A leitura de bons livros de expressão verbal, juntamente com a prática nos cursos de oratória, certamente dará ao aspirante orador a dose certa para vencer o medo de falar em público.
Pesquisa sobre o medo de falar em público
Através de pesquisa realizada entre três mil americanos, chegou se à conclusão de que o pavor de se expressar perante um público é, indubitavelmente, o que transtorna a maioria das pessoas.
Anime se, portanto, pois você não é o único a sofrer deste mal.
Veja o que aconteceu na pesquisa.
A pergunta era a seguinte: Qual o seu maior medo?
Resultado:
1º lugar: 41%, de falar público;
2º lugar: 32%, de altura;
3º lugar: 22%, de insetos;
4º lugar: 22%, de problemas financeiros;
5º lugar: de doenças;
6º lugar: da morte.
0 medo existe para todos
É importantíssimo saber que o medo existe para todos, principalmente nos instantes que antecedem uma apresentação. Poderíamos até dizer que é natural tal fato. 0 importante é enfrentá lo com a certeza absoluta de que, decorridos alguns minutos, a sua capacidade, o seu preparo e a sua autoconfiança controlarão os primeiros momentos, e a continuidade será tranqüila quando a sua experiência dominar esse obstáculo.
Grandes artistas, como o Rei Roberto Carlos, o velho e saudoso apresentador Chacrinha, o querido Jô Soares e a tão simpática apresentadora Hebe Camargo confessaram sentir medo antes das apresentações. Além deles, conhecemos muitos outros famosos que ainda suam e tremem nos primeiros instantes.
Ora, se esses notáveis, possuidores de um domínio de auditório, confessam humildemente, em público, que o medo existe, por que persistimos em ser tão perfeccionistas, tampando o sol com a peneira, exigindo de nós mesmos o quase impossível?
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| Autor: Acácio Moraes Garcia |
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