O Bom Orador já nasce feito?
Grandes Oradores


O bom orador já nasce feito? Por: Daniel Piccoli Garcia Esta pergunta surge constantemente em nossos cursos de Oratória. A resposta, evidentemente, é negativa. Vale salientar, mais uma vez, que o orador não nasce feito. Por mais experiência que tenha, só a prática da apresentação em público, no dia a dia, o consagrará, trocando a adrenalma pela endorfina e pelo sucesso. Os agraciados com este dom não alcançam a cifra de 5% da população da Terra. Demóstenes foi o maior dos oradores gregos, contrariando a tese de que o bom comunicador já nasce feito. Era um homem gago, franzino, com vários cacoetes nos braços e ombros, com muito medo de falar em público. A persistência e a constância foram superiores aos seus defeitos. Para sanar a gagueira, utilizava se de pequenas pedras, que colocava na boca nas horas durante as quais treinava seus discursos, pronunciando exageradamente todas as palavras. Para a correção da postura, juntamente com o defeito de suspender inconscientemente os ombros à altura da cabeça, construiu uma engenhoca:uma corda suspendia o braço defeituoso ao teto e uma espada instalada atrás de suas costas era acionada toda vez que o cacoete ocorria. Não é preciso dizer mais nada; sua determinação foi maior do que as dores sentidas pelas pontadas do metal. Superou todos os obstáculos, transformando-se no maior comunicador da culta Grécia. 0 carinho que o povo grego devotava a este monstro sagrado da fala era tanto, a ponto de não deixá lo em paz e de acompanhá lo até sua casa após o encerramento dos discursos. Grandes oradores Vale enfatizar que Cicero foi, entre os latinos, o maior dos oradores. Influenciou, com seus empolgantes discursos, os destinos do glorioso Império Romano. A exemplo desses dois renornados nomes da oratória da Grécia e de Roma, com seus talentos no uso das palavras e eloqüência inflamante e arrebatadora, outros também deixaram seus nomes gravados nas páginas douradas da história, conquistando os mais cobiçados postos e reservando um lugar de honra e de admiração nas gerações futuras, que jamais os esquecerão. É sempre confortante lembrar que o nosso ilustre compatriota, Rui Barbosa de Oliveira, no início do século XX, fez o Brasil ser conhecido, através de seus discursos inflamados, na cidade de Haia, na Holanda, tendo sido apelidado carinhosamente de "Águia de Haia". Além dele, a humanidade conheceu outros grandes oradores, porém, o maior de todos foi Jesus Cristo. Simples, amigo, carismático, ilustrava sua fala com histórias que ajudavam consideravelmente o entendimento do humilde povo hebreu. Falava de tal forma que as palavras entravam no pensamento de quem escutava e repercutiam no coração. Vamos imitá lo? Ao leitor, que sabe da importância da arte de falar em público, mnão foi agraciado com este dom, a leitura de bons livros de oratória, em conjunto com cursos práticos, é de um dos canais para a conquista do sucesso pessoal, profissional e financeiro. Pode, inclusive, tornar se melhor do que os oradores natos, uma vez que irá aprender as técnicas práticas, modernas e corrigidas por profissionais competentes, enquanto muitos daqueles trazem consigo velhos vícios. A palavra A arte de falar em público sempre empolgou todos os povos, desde o início da humanidade. A palavra é, com toda a certeza, a manifestação mais elevada do ser humano e o melhor presente que Deus lhe deu. Permite-lhe exteriorizar, através das cordas vocais, os sentimentos da alma e interagir com seus semelhantes. Uma palavra dita na hora certa a uma pessoa aflita ameniza sua alma como se fosse um bálsamo. Por outro lado, uma ofensiva, corta e transpassa como um punhal. Por isso, as palavras devem ser escolhidas, mesmo quando expressem sinceridade, transmitindo clareza aos que se destinarem. A simplicidade, a exemplo do grande orador Jesus Cristo, é o instrumento do qual o sábio se utiliza para expor uma idéia. Ele falava num linguajar simples, reforçado com muitos exemplos práticos e com as famosas parábolas que jamais serão olvidadas, por mais que o tempo passe. As palavras devem ser claras, amigas e sinceras para que possam atingir o consciente de quem ouve e repercutir em seu coração. Para saber falar é preciso antes saber escutar e ouvir. Escutar é preparar se para ouvir. Quando se escuta atentamente uma pessoa, além de se mostrar educação e humildade, se estará, em contrapartida, aprendendo. Na verdade, ninguém SABE TUDO. Em cada instante de nossa vida estamos participando de um aprendizado, num processo que não finda jamais. E qual é a melhor técnica para escutar atentamente um orador? É estar concentrado. E como se concentra? Só se concentra aquela pessoa que sabe relaxar. Pratique o exercício de relaxamento, que se encontra no capítulo à frente. Um outro método eficaz para manter os seus ouvintes atentos é fazendo lhes perguntas sobre: onde, como e quando praticar o assunto ministrado. Sabe por quê? Os participantes ficam curiosos na expectativa da resposta que você certamente irá apresentar. A mente humana é muito veloz, e quando fazemos uma pergunta, ela alcança quase 500 palavras por minuto, enquanto, na fala, atinge cerca de 130 palavras por minuto. Daí a vantagem que podemos tirar em nosso proveito, resumindo todo um pensamento, aproveitando aqueles momentos de total atenção dos ouvintes. Nos dias atuais verifica-se, a todo instante, o valor atribuído às pessoas que se expressam fluentemente. Ficamos frustrados quando, numa reunião na empresa, aquele colega, com capacidade inferior aos demais, é chamado para ocupar um cargo de destaque porque domina a inibição, apresenta um trabalho e se comunica com o grupo de forma tranqüila e serena. Realmente, as oportunidades de falar em público tornam se maiores quando ocupamos uma posição de liderança na sociedade, como executivos, presidentes de empresa, diretores, políticos, professores, profissionais nas apresentações de projetos, planos de trabalho, reuniões. Além do mais, os estudantes, nas apresentações de suas teses e monografias, etc., devem estar verdadeiramente preparados e seguros para fazer o uso da palavra quando solicitados.



Autor: Daniel Piccoli Garcia
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